A virada de mais um ano e todo o sentimento de renovação que
se repete no nosso ciclo anual. Desejo sempre energia boa e saúde e o melhor de
tudo ótimas celebrações, afinal, se divertir no presente é a melhor garantia de
futuro (e tem gente que não entende quando se diz que temos que nos divertir no
trabalho....lembre-se motivação vem de dentro).
Todo inicio de ano se tem aquela esperança, e por pior que
seja o cenário, sempre conseguimos antecipar o que pode ser ruim, e esperar que
teremos algo melhor. O diferencial será a ação! Fé é importante e eu mesmo fiz
a minha Mega da virada (a minha individual e não neguei nenhum convite de Mega
do grupo, imagina só todo mundo ganhar e você ficar de fora!!!), mas
convenhamos, probabilidade baixa (...íssima para ser mais pé no chão), então
vamos tratar de fazer plantios mais duradouros.
Cabe-nos o mesmo que sempre nos coube: boas reflexões sobre o que queremos, o que somos, e o que fazemos,
planejar e agir!
Nesse caminho, li a biografia de Raúl Prebisch, do autor
Edgar J. Dosman, material riquíssimo sobre essa figura histórica e uma boa
referência de história da América Latina no século XX. Impressionante minha
ignorância sobre tal figura, e confesso que triste ver essa falta de referência
na escola de economia e gestão pública. Uma carreira de desafios na construção
institucional, e sob minha análise pós leitura, com mais frustrações do que
conquistas tendo em vista o duro ambiente político e institucional e dos jogos
de poder dos organismos multilaterais. Mas uma inquestionável fonte de boas
reflexões, em que destaco a que me chamou mais atenção e mesmo sendo datada de
1981 nunca pareceu tão presente:
“´Distribuição equitativa, crescimento econômico vigoroso e
novos padrões institucionais em uma democracia realmente participativa: estes
são os objetivos principais´. Para ele, o comunismo não funcionava porque
limitava a liberdade política (e além disso, não funcionava na prática),
enquanto o liberalismo irrestrito era economicamente eficiente, mas socialmente
insustentável. O desafio de construir uma nova ordem era reunir as vantagens
dos dois sistemas e evitar suas fraquezas. ‘Pergunto-lhes quais são as outras
soluções. O livre mercado e governos autoritários não resolveram o problema.
Não sou dogmático, só estou tentando provocar discussão.’” (DOSMAN, 2011,
p.553-554)
Nosso caminho enquanto país tem desafios imensos em 2015:
paramos de avançar na agenda da equidade, há muito não crescemos vigorosamente
e nossa democracia briga com a imagem de um partido no poder atolado de
corrupção, sem falar no risco da inflação. Não acho que existe via alternativa
fácil: a democracia que temos é inegável, pode ser aprofundada em participação
(mas o custo-benefício disso ainda não é claro, nem mesmo é sua efetividade),
precisamos de reformas e uma agenda de implementação forte, mas não nos cabe
uma mudança radical em nível institucional. Cabe sim, uma agenda radical de
ação e atitudes, desde as relações individuais (em busca de maior civilidade),
até as relações empreendedoras e reformas institucionais (incentivos corretos
para geração de resultados).
Particularmente torço para que a transição partidária no
Governo de Minas mantenha as boas práticas de gestão e imprima nesse modelo
suas prioridades, bem como incorpore melhorias nessa e em outras áreas. Queria
muito ver a agenda de transparência do Caderno de Indicadores, por exemplo, ser
mantida e por que não, aperfeiçoada!
Prebisch morreu ao que consta, aos 85 anos, dormindo, após
ler e beber em uma noite de uma rotina que pareceu feliz. Uma morte invejável,
se é que me entendem. O fim de uma história cheia de energia e ação. Que fique
a inspiração para viver 2015, lembrando de um lado da finitude e de outro da
importância de se construir e lutar
pelo que se acredita! 2014 se vai e 2015 já vem vindo...
