quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A espera e a ação: 2015 vem, e o que nos cabe?

A virada de mais um ano e todo o sentimento de renovação que se repete no nosso ciclo anual. Desejo sempre energia boa e saúde e o melhor de tudo ótimas celebrações, afinal, se divertir no presente é a melhor garantia de futuro (e tem gente que não entende quando se diz que temos que nos divertir no trabalho....lembre-se motivação vem de dentro).

Todo inicio de ano se tem aquela esperança, e por pior que seja o cenário, sempre conseguimos antecipar o que pode ser ruim, e esperar que teremos algo melhor. O diferencial será a ação! Fé é importante e eu mesmo fiz a minha Mega da virada (a minha individual e não neguei nenhum convite de Mega do grupo, imagina só todo mundo ganhar e você ficar de fora!!!), mas convenhamos, probabilidade baixa (...íssima para ser mais pé no chão), então vamos tratar de fazer plantios mais duradouros.

Cabe-nos o mesmo que sempre nos coube: boas reflexões sobre o que queremos, o que somos, e o que fazemos, planejar e agir!

Nesse caminho, li a biografia de Raúl Prebisch, do autor Edgar J. Dosman, material riquíssimo sobre essa figura histórica e uma boa referência de história da América Latina no século XX. Impressionante minha ignorância sobre tal figura, e confesso que triste ver essa falta de referência na escola de economia e gestão pública. Uma carreira de desafios na construção institucional, e sob minha análise pós leitura, com mais frustrações do que conquistas tendo em vista o duro ambiente político e institucional e dos jogos de poder dos organismos multilaterais. Mas uma inquestionável fonte de boas reflexões, em que destaco a que me chamou mais atenção e mesmo sendo datada de 1981 nunca pareceu tão presente:

“´Distribuição equitativa, crescimento econômico vigoroso e novos padrões institucionais em uma democracia realmente participativa: estes são os objetivos principais´. Para ele, o comunismo não funcionava porque limitava a liberdade política (e além disso, não funcionava na prática), enquanto o liberalismo irrestrito era economicamente eficiente, mas socialmente insustentável. O desafio de construir uma nova ordem era reunir as vantagens dos dois sistemas e evitar suas fraquezas. ‘Pergunto-lhes quais são as outras soluções. O livre mercado e governos autoritários não resolveram o problema. Não sou dogmático, só estou tentando provocar discussão.’” (DOSMAN, 2011, p.553-554)

Nosso caminho enquanto país tem desafios imensos em 2015: paramos de avançar na agenda da equidade, há muito não crescemos vigorosamente e nossa democracia briga com a imagem de um partido no poder atolado de corrupção, sem falar no risco da inflação. Não acho que existe via alternativa fácil: a democracia que temos é inegável, pode ser aprofundada em participação (mas o custo-benefício disso ainda não é claro, nem mesmo é sua efetividade), precisamos de reformas e uma agenda de implementação forte, mas não nos cabe uma mudança radical em nível institucional. Cabe sim, uma agenda radical de ação e atitudes, desde as relações individuais (em busca de maior civilidade), até as relações empreendedoras e reformas institucionais (incentivos corretos para geração de resultados).

Particularmente torço para que a transição partidária no Governo de Minas mantenha as boas práticas de gestão e imprima nesse modelo suas prioridades, bem como incorpore melhorias nessa e em outras áreas. Queria muito ver a agenda de transparência do Caderno de Indicadores, por exemplo, ser mantida e por que não, aperfeiçoada!


Prebisch morreu ao que consta, aos 85 anos, dormindo, após ler e beber em uma noite de uma rotina que pareceu feliz. Uma morte invejável, se é que me entendem. O fim de uma história cheia de energia e ação. Que fique a inspiração para viver 2015, lembrando de um lado da finitude e de outro da importância de se construir e lutar pelo que se acredita! 2014 se vai e 2015 já vem vindo...

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