segunda-feira, 14 de julho de 2014

#vamostrabalharBrasil

Ontem foi a final da Copa das Copas. Acabou! Para seleção brasileira acabou antes, mas definitivamente não vale nenhuma reflexão sobre o futebol. Passamos por esse mega evento e por todos os holofotes. Diante do que esperávamos de manifestos, foi ótimo. Minha hipótese é que a baixa adesão às manifestações ocorreu pelos seguintes motivos:
  • Nenhuma apologia sensacionalista dos veículos de imprensa a favor dos manifestos (ao contrário coberturas neutras, discretas e quase recriminatórias);
  • A percepção tardia de que o manifesto foi usado para baderna e não para civilidade;
  • A melhor organização do policiamento e um trabalho preventivo de inibir aglomerações indevidas;
  • O esvaziamento da sensação de que manifestar resolve.

E devemos refletir principalmente por esse último, a falta de esperança, pois é isso que nos move. Como já defendi anteriormente felicidade está em muito atrelado à expectativa. Esperança em alguma medida nada mais é que expectativa. Expectativa em uma visão mais técnica da economia é o que movimenta a economia (pois na expectativa de melhora se consome mais, se tem maior disposição a investir e a roda gira! Infelizmente a expectativa ruim faz exatamente o oposto).

Eu já acreditei na revolução branca, por dentro da instituição, sem quebras abrutas. Já tenho minhas dúvidas se a força da transgressão é capaz de superar a da acomodação, os custos de quem têm a perder são concentrados demais. Não acredito em revoluções e exatamente por isso, grandes mobilizações nas ruas não me transmitem esperança. Essa minha descrença é simplesmente por não achar que o modelo geral esta errado: vivemos uma democracia e não acho que há nenhum sistema melhor para substituir o que está ai. Dai o risco do esvaziamento, da desesperança, que acredito assola a muitos atualmente. O caminho da mudança passa pelo voto, mas ninguém acredita muito que seu voto mudará substancialmente nada.

Espero que a eleição possa mudar alguns nomes. Acredito que a maior parte do povo brasileiro queira mudanças e isso seja refletido nas urnas. Contudo, eu também entendo que por mais haja mudanças, não será uma revolução branca, pois são instituições de maturação lenta. E essa lentidão gera nossa desesperança, nossa falta de grande expectativa.

Daí, compartilho minha reflexão a favor do movimento #vamostrabalharBrasil, que nada mais é: cada um faça sua parte, e o caminho passa por trabalhar, cada um dar seu melhor e focar no seu, esquecer de projetar o seu futuro no outro.  Devemos parar de nos afundar em criticas que só levem a baixa estima geral. Não acho que devamos também ficar enaltecendo nada per se, pois já vimos que não é uma “seleção de heróis” que vai garantir para nós nenhum futuro. O ‘vamos’ implica no ‘nós’ subjacente. Eu vou primeiro torcendo para que isso inspire o outro! A mudança tem de ocorrer em cada um de nós, desde o engajamento com o trabalho e a construção de algo melhor, perpassando pela forma de crescer, os valores desse crescimento. Fazer algo dentro de padrões que queremos que os outros façam com o que é de todos. O que muda é o exemplo! E não podemos esperar isso primeiro de quem nos representa, tem que partir de nós!

(...)

Enquanto isso, em Brasília, na contramão de toda essa defesa: escutei hoje que querem votar a redução da jornada de trabalho de 44h para 40h semanais. Simplesmente gerar ainda mais custos para quem quer empregar e trabalhar (ou vocês acham que alguém vai ter ganho real de salário com isso? Os custos são sempre repassados!). Alguém acredita no mercado e na boa regulação entre quem quer trabalhar e quem quer empregar? Espero que sim, e que essa votação não siga e vire ainda mais custo, sob argumentos estapafúrdios de que existem países que trabalham menos e produzem mais, pois nesses países, se tem algo que ainda não temos (e que não é essa lei e esse excesso de regulação trabalhista): produtividade baseada em capital humano!


#deixaeutrabalharBrasil