O tempo passa rápido, e já
estamos a menos de 20 dias para a Copa do Mundo. Pensar que tem 2 anos que me
desliguei desse assunto no cotidiano e
infelizmente o debate continua no mesmo tom de críticas que não constroem e
revoltas. Temos o que criticar e talvez até mesmo motivos para revoltar, mas
diante disso tudo continuam falando cada qual de acordo com o que lhe convém,
sobre legado. O que e qual é o legado
da Copa? A reflexão de hoje é mais simples, e um tanto mais óbvia, é quase
um desabafo.
Quando o país decidiu sediar os jogos, assumimos uma série de obrigações
para ter um direito: sediar os jogos e ter toda a visibilidade derivada.
Todos os custos envolvidos na organização dos jogos justifica essa
visibilidade? Não sei e quem fala que sabe tá chutando (podem me enviar um
estudo bem feito disso que ainda não vi nenhum). São custos e benefícios muito
difíceis de mensurar, por exemplo:
Um grande professor meu, que
tenho muita admiração, sempre me questionou quando eu falava que Legado da Copa
eram os Aeroportos – ‘precisamos da Copa para ter Aeroportos?’ era sua
ponderação. Racionalmente claro que não, afinal é investimento em
infraestrutura que representa a Nova Economia (tudo que não vai pela internet,
tende a ir de avião[1]).
Mas qual o motivo do Brasil não ter feito investimento em Aeroporto antes? Falta
de senso de urgência[2],
e a Copa propiciou isso. Caso os
investimentos fossem bem planejados (ou seguissem um planejamento de
infraestrutura independente da Copa) seria uma sinergia ótima e o Legado da
Copa seria a infraestrutura que deriva dela por um motivo pontual e urgente, mas
atende um objetivo maior que tem plena justificativa. Portanto, ora pois,
os custos e benefícios envolvidos são bem complexos, e o senso de urgência tem
de ser ponderado nessa conta.
Outro ponto de grande debate
reside sobre os estádios, esses sim, exclusivos para a Copa do Mundo! Ou não?
Ou teríamos demanda por eles para além da Copa? (quase ninguém gosta de futebol
em nosso país, né?). Nesse ponto, o Brasil da nossa atual base governista é
foda: escolheram fazer em 12 cidades para atender algumas demandas políticas (e
isso gerará uns 2 ou 4 estádios mais ociosos), custo Copa e não é um bom
legado, legado no sentido daquilo que fica depois que algo vai embora. São
escolhas do nosso país (mesmo eu não tendo votado no atual governo, não deixa
de ser nossa escolha: custo democrático!).
Contudo, tirando esses 2 ou 4, acredito no legado dos estádios, pelo
menos acreditava no seu potencial: futebol profissional e equipamentos com
nível de serviço como os de padrão internacional (EUA e Europa). Digo
potencial, pois precisa ter decisão de boa regulação, profissionalização desse
segmento, e isso envolve ter clubes de futebol engajados nesses equipamentos e
dispostos a aumentar o nível. Digo acreditava, pois basta ver os resultados
deficitários e os níveis de serviço que evoluíram pouco para ver que não virou
o que poderia virar! Infelizmente a Copa não mudou o cenário dessa cultura do
futebol, ou será que mudou e eu que não percebi ainda? Como disse, é uma conta
complexa.
Esse tal legado veio a minha
mente de novo, tendo em vista a polêmica envolvendo a Joana Havelange e a frase infeliz de que ‘o que tinha que ser gasto, roubado, já foi’. A intenção dela era boa, e tenho de concordar: o custo
já é nosso e o benefício? Já falei nesse blog sobre minha opinião acerca do que
fizemos na Copa das Confederações com as manifestações: criamos mais custo. Vendemos uma imagem de um país com alto
custo e alto risco! Vendemos pra o mundo nossos problemas, e ninguém lá fora
quer comprar problema. Deixamos de vender nossas soluções para atrair e
fazê-los comprar nosso mercado (investir em nós). Infelizmente, acho que o
cenário vai repetir, e vamos ter mais custo social de tempo perdido em
congestionamento de manifestação, crise de imagem, etc. Bom, a ideia de fazer a
copa e vender alegria era uma intenção boa, reforçava a ideia de legado.
Em falando de imagem, bom lembrar
que os aeroportos vão ficar prontos depois da Copa. Na linha do meu professor,
tanto faz, o importante é que vamos ter
Aeroportos melhores no futuro. Concordo e espero que sejam bem melhores,
aposto na Aerotrópole de Belo Horizonte, independente da Copa. Por óbvio, que na imagem de quem vem, vai
ser caos, vai ser a imagem de um país que não consegue entregar o que planeja,
infraestrutura deficiente, etc....bem, é só imagem.....
Estou meio ranzinza, e
repetitivo, tenho de confessar. Meio desiludido com o assunto Copa, e seu
legado. Por isso não falarei mais das críticas de Copa e dos estádios no blog. A
Copa já foi (ou será que pode piorar ainda mais a imagem? A Joana bem que
tentou motivar a ideia de criar um clima bom para vender o país, ela tem sua
dose de razão, os próximos dias vai dar muito o tom da imagem que irá ficar). Os
estádios.....tomara que virem legados de orgulho um dia! “Somos quem podemos
ser, sonhos que podemos ter....” ‘QUEREMOS?’[3].
[1]
O livro Aerotrópole de John Kasarda ilustra muito bem essa mentalidade da
importância dos Aeroportos na Nova Economia.
[2]
Pode achar que é falta de vergonha na cara dos nossos governantes, mas
instituições levam tempo, e se estamos assim agora, é fruto de um caminho
percorrido e por escolhas que fizemos enquanto coletividade. E que nada tem
haver com a Copa.
[3] Breve
menção aos poetas do Engenheiros do Hawaii