terça-feira, 7 de abril de 2015

Diagnóstico ou Marketing Político?

Ontem foi lançado o diagnóstico feito nos 3 primeiros meses do Governo de Minas sob nova gestão. Rapidamente, o antigo governo já reagiu e questionou o teor e propósito do documento. Quem está com a verdade? Temos um processo que elucida ou não?

Apenas naveguei apenas pelo hot site (www.diagnostico.mg.gov.br), e comentei assunto com alguns amigos, sejam tucanos, sejam petistas. O que me chamou muita a atenção é o tom de marketing muito maior do que o tom de um diagnóstico, com o explícito propósito de desqualificar o “choque de gestão” e buscar usar da comunicação como ferramenta de formação de opinião da maneira mais letal para a formação do cidadão: informação não transparente e usada com viés em prol da hipótese defendida.

Se fosse um trabalho acadêmico tomava bomba! Quais foram as perguntas feitas quando do início do diagnóstico? Quais as hipóteses que estavam sendo testadas para avaliar a boa ou má gestão?
O que vemos em termos de resultado é que nenhuma resposta positiva ocorreu, ou seja, não há nenhum saldo positivo observado no diagnóstico (para ser honesto, vi uma menção sobre ensino fundamental, que foi logo descaracterizando que isso seja papel do Estado). Isso é possível? Teoricamente sim. Isso é provável? Absolutamente não.

Ainda vemos uma forma terrível de mostrar dados e resultados: usar comparações ad hoc. Quando a comparação com 2002 é adequada para demonstrar que a situação atual piorou muito, uso o dado de 2002, quando não é uso o que for adequado.... 2010 por exemplo....ou será que não uso nenhuma e só alardeio o número solto para chamar atenção?

Se observarmos na parte de segurança, na mesma figura usam-se dois tempos de comparação distintos... e ainda com um equívoco técnico terrível....crime é diretamente proporcional ao número de habitantes (teoricamente quanto maior pior, cidades maiores tendem a ter mais homicídios em número absoluto do que cidades pequenas), e o número de habitantes cresce com o tempo por definição da nossa natureza (exceto se fomos uma sociedade que já está na curva negativa de natalidade, que não é o caso do Brasil ou de Minas Gerais). Logo, se compararmos sem ter uma taxa por X mil habitantes, estamos comparando banana e laranja!

IMAGEM 1 - Exemplo do diagnóstico de segurança


No caso de processos ambientais, por exemplo, o número é bruto, ou seja, sem base de comparação com como era isso no passado.... qual o motivo? Qual o objetivo de cada comparação? Acho que todos que refletem um pouco desconfiam...

IMAGEM 2 - Exemplo do diagnóstico de meio ambiente


Triste uso de um diagnóstico. Mais triste ainda a situação, e é fundamental deixar aqui registrado que tem muita coisa a ser feita e infelizmente temos muitos problemas e desafios para a gestão pública estadual! Contudo, quando não fazemos o devido uso do que é ser “técnico” ou “imparcial”, perdemos a chance do velho e bom “tapa de luvas”, que é elegante e desmonta o outro lado. Seria uma grata surpresa se a forma de apresentar tivesse outro nível e outro tom, teríamos o caminho de uma democracia construtiva, que é tão desejada. Poderíamos hoje estar discutindo os reais problemas e não se tem um lado que fez ou um que mudou a ótica do que foi feito.

Por ora, mantemos a visão destrutiva, cultura do sangue, da culpa, do erro, e da disputa que beira a rivalidade irracional do futebol!

Está em campo nossas vidas, e torço para que o atual governo consiga ter muitas e boas entregas: ganharemos todos! Vi um esforço de falar o que está sendo feito, mas falta muito para um compromisso mais objetivo e uma “gestão por resultados” que seria muito desejada! Para cada eixo, qual a situação e qual a meta?

Uma questão que ainda chama muita atenção é a falta de clareza para tratar de um assunto tão importante como o gasto com pessoal. Fala-se em descumprir a LRF por conta da gestão anterior e os compromissos assumidos, mas também se critica a falta de pessoas em diversas áreas estratégicas para o Estado. Uma coisa é incompatível com outra, pois a crítica a folha inchada é contraditória à critica de que deveria ter mais servidores em algumas áreas. Bem vindo ao desafio da gestão!


Termino, voltando a defender a iniciativa de transparência séria e profissional já defendida com o “Caderno de Indicadores”. Espero que ele continue sendo feito, pois ele não é marketing no seu sentido ruim, é diagnóstico real do que aconteceu e quais são os números que espelham nossa realidade, seja ela fruto de uma melhora (e isso na minha opinião pode e deve ser usado como marketing positivo) ou uma piora. Isso sim seria base para boas reflexões e para a ação!

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