Ontem foi lançado o diagnóstico feito nos 3 primeiros meses
do Governo de Minas sob nova gestão. Rapidamente, o antigo governo já reagiu
e questionou o teor e propósito do documento. Quem está com a verdade? Temos um processo que elucida ou não?
Apenas naveguei apenas pelo hot site (www.diagnostico.mg.gov.br), e
comentei assunto com alguns amigos, sejam tucanos, sejam petistas. O que me
chamou muita a atenção é o tom de
marketing muito maior do que o tom de um diagnóstico, com o explícito
propósito de desqualificar o “choque de gestão” e buscar usar da comunicação
como ferramenta de formação de opinião da maneira mais letal para a formação do
cidadão: informação não transparente e usada com viés em prol da hipótese
defendida.
Se fosse um trabalho
acadêmico tomava bomba! Quais foram as perguntas feitas quando do início do
diagnóstico? Quais as hipóteses que estavam sendo testadas para avaliar a boa
ou má gestão?
O que vemos em termos
de resultado é que nenhuma resposta positiva ocorreu, ou seja, não há nenhum
saldo positivo observado no diagnóstico (para ser honesto, vi uma menção
sobre ensino fundamental, que foi logo descaracterizando que isso seja papel do
Estado). Isso é possível? Teoricamente
sim. Isso é provável? Absolutamente não.
Ainda vemos uma forma
terrível de mostrar dados e resultados: usar comparações ad hoc. Quando a comparação com 2002 é adequada para demonstrar
que a situação atual piorou muito, uso o dado de 2002, quando não é uso o que
for adequado.... 2010 por exemplo....ou será que não uso nenhuma e só alardeio
o número solto para chamar atenção?
Se observarmos na parte de segurança, na mesma figura
usam-se dois tempos de comparação distintos... e ainda com um equívoco técnico terrível....crime é
diretamente proporcional ao número de habitantes (teoricamente quanto maior
pior, cidades maiores tendem a ter mais homicídios em número absoluto do que
cidades pequenas), e o número de habitantes cresce com o tempo por definição da
nossa natureza (exceto se fomos uma sociedade que já está na curva negativa de natalidade, que não
é o caso do Brasil ou de Minas Gerais). Logo, se compararmos sem ter uma taxa
por X mil habitantes, estamos comparando banana e laranja!
IMAGEM 1 - Exemplo do diagnóstico de segurança
No caso de processos ambientais, por exemplo, o número é
bruto, ou seja, sem base de comparação com como era isso no passado.... qual o
motivo? Qual o objetivo de cada comparação? Acho que todos que refletem um
pouco desconfiam...
IMAGEM 2 - Exemplo do diagnóstico de meio ambiente
Triste uso de um diagnóstico. Mais triste ainda a situação, e é fundamental deixar aqui registrado
que tem muita coisa a ser feita e infelizmente temos muitos problemas e
desafios para a gestão pública estadual! Contudo, quando não fazemos o
devido uso do que é ser “técnico” ou “imparcial”, perdemos a chance do velho e
bom “tapa de luvas”, que é elegante e desmonta o outro lado. Seria uma grata
surpresa se a forma de apresentar tivesse outro nível e outro tom, teríamos o
caminho de uma democracia construtiva, que é tão desejada. Poderíamos hoje estar discutindo os reais problemas e não se tem um lado que fez ou um que mudou a ótica do que foi feito.
Por ora, mantemos a
visão destrutiva, cultura do sangue, da culpa, do erro, e da disputa que beira
a rivalidade irracional do futebol!
Está em campo nossas vidas, e torço para que o atual governo
consiga ter muitas e boas entregas: ganharemos todos! Vi um esforço de falar o
que está sendo feito, mas falta muito para um compromisso mais objetivo e uma
“gestão por resultados” que seria muito desejada! Para cada eixo, qual a situação e qual a meta?
Uma questão que ainda chama muita atenção é a falta de
clareza para tratar de um assunto tão importante como o gasto com pessoal.
Fala-se em descumprir a LRF por conta da gestão anterior e os compromissos
assumidos, mas também se critica a falta de pessoas em diversas áreas
estratégicas para o Estado. Uma coisa é incompatível com outra, pois a crítica
a folha inchada é contraditória à critica de que deveria ter mais servidores em
algumas áreas. Bem vindo ao desafio da
gestão!
Termino, voltando a defender a iniciativa de transparência
séria e profissional já defendida com o “Caderno de Indicadores”. Espero que
ele continue sendo feito, pois ele não é marketing no seu sentido ruim, é diagnóstico real do que
aconteceu e quais são os números que espelham nossa realidade, seja ela fruto
de uma melhora (e isso na minha opinião pode e deve ser usado como marketing positivo) ou uma piora. Isso sim seria base para boas reflexões e para a ação!


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