segunda-feira, 10 de junho de 2013

Gestão por Resultados: a mentalidade e espírito que fazem toda a diferença

Primeiramente, existe todo um preconceito ao se falar de gestão por resultados no setor público, alegando que o papel do Estado é para além de aspectos gerenciais, e que não se pode falar em Estado gerencial. É fundamental quebrar essas discussões que se amparam na rotulação para evitar qualquer argumentação. Minha visão defendida é que a noção de gestão por resultados é uma metodologia, uma forma de gerenciar, e nesse sentido se aplica a qualquer governo, seja de direita, centro, esquerda, ou qualquer outra variação que queiram nominar governos. Defendo, que todo governo deveria ser orientado para resultados[1].

Minha defesa se baseia em uma premissa simples: cada governo pode escolher seus resultados. Um pode querer A, o outro B, o importante é que haja compromisso com resultados, e que isso influencie e direcione sua gestão. Aqueles que ao lerem minha defesa já se fecharam na mentalidade de que existem pessoas para além dos resultados, que governos tem que ver o social, ou algo do tipo, espero que possam refletir acerca da simplicidade da ideia: chame o que quiser de resultados, não estou defendendo que apenas se valorizem ou se orientem por alguns resultados, deixo a decisão aqui com a escolha pública. Defendo apenas que sejam feitas escolhas (pois já dizia o ditado popular, ‘quem tudo quer, nada tem’), e que sejam feitas de modo transparente, na medida que significam compromissos públicos.

Minha concepção de modelo de gestão por resultados também é simples (podemos adicionar complexidade ao modelo, na medida de sua maturidade, mas sua essência simples não pode se perder): é desejável que qualquer governo estabeleça seus resultados pretendidos, seus compromissos, e isso seja feito da forma mais transparente possível, permitindo o acompanhamento e a prestação de contas do que se fez em relação ao que se pretendia fazer.

O fato de se comprometer com resultados é de grande valor para gerar alinhamento e foco nas pessoas que compõem a instituição. Eis que aqui temos uma aplicação universal (vale para setor público e privado), de grande importância: o resultado é o que mobiliza. Uma vez escutei a seguinte frase de um grande executivo: “o Chefe é o objetivo”. Essa noção é libertadora e transformadora em qualquer instituição que tenha seus objetivos estabelecidos e alinhados, pois implica em romper com hipocrisias e demagogias, e evidencia toda e qualquer incoerência na ação, que passa a ser justificada apenas pela autoridade da força/poder.

Uma virtude para homens públicos é se comprometer com resultados: ter a coragem de fazer escolhas e assumi-las publicamente. Acredito que aqui um corte seja socialmente imperativo: separar os que se comprometem dos que se omitem. É mais fácil se omitir, estar na boa, se esquivar de compromissos, vibrar com todas as boas noticias e não assumir nenhum fracasso (afinal só fracassa quem se impõe alguma meta).


Uma necessidade: criar uma plataforma mais simples, transparente e comunicativa, acerca desses resultados que são compromissos. A comparação deveria ser entre resultados pretendidos por candidatos e partidos, e aqui se pode dizer que haveriam resultados comuns (por exemplo, todos querem melhorar a educação), e logo isso impediria a comparação. Caso isso ocorra, primeiro, teremos um pacto por algo socialmente desejado (pois se nenhuma parte se opôs, é que não se vislumbrou uma fatia significativa da opinião pública contrário a ideia), segundo, teremos um compromisso público que poderá ser passível de verificação (as complexidades e sofisticações no modelo se iniciam aqui, quando tivermos de fazer a apuração e a comparação com o contrafactual – o que teria sido sem a ação do governante), e terceiro, podemos buscar um compromisso derivado: como pretende chegar nesse caminho? E aqui certamente temos combinações relevantes para a escolha socialmente desejada, o caminho para o resultado, nada mais é que outro resultado (indicadores de produto ou de processo): uns irão optar por aumentar salário dos professores, outros poderão optar por aumentar o número de professores, e os caminhos se revelam compromissos.

Meu ideal poderia ser expresso no seguinte compromisso: Percentual de executivos que apresentam um conjunto de indicadores, passíveis de avaliação por terceiros, como seu compromisso de gestão. Seriamos uma sociedade melhor se esse compromisso ganhasse defensores. É legítimo discordar de quais resultados perseguir, mas um desperdício deixar de se guiar por resultados na gestão.



[1] Certamente acredito que o setor privado também deveria se guiar por resultados, e via de regra, o mercado funciona, pois os que não se guiam por resultados, vão sendo eliminados.

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